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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Luz da consciência



Foto: Alice Popkom 

Caminha levemente
Mente vazia
Corpo saudável
Dá espaço à alma
Integra o ser
O faz consciente

Acalma o coração
Dá ritmo às batidas
Suavidade e amor
Fazem cada passo
Levar à direção da luz

Veste o sorriso
Nos lábios, nos olhos
Ao ouvir, falar, cantar
Colore a aura alegremente

Aquieta os impulsos
Enfraquece o ego
Fortalece a união

Olha e vê o mundo
Um é todo, todo é um

Inteiramente presente e universal.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Terra encantada: Visconde de Mauá

Borboletas azuis deslizam no ar, como em câmera lenta, e me recebem nessa terra encantada. São infinitas, estão em toda parte do caminho. Esse lugar é mágico porque há paz. Há uma energia limpa, boa, renovadora, que invade a alma de quem adentra no distrito de Visconde de Mauá, em Resende, Rio de Janeiro.

Com suas vilas – Mauá, Maringá e Maromba –, seus vales e cachoeiras, a região de Visconde de Mauá guarda riquezas das mais belas e sutis.
É como se a vibração daquele lugar nos trouxesse aquilo de melhor que somos, o melhor que sentimos. Até os nossos sorrisos nas fotos ficam mais alegres, o olhar brilha como se avistasse a serenidade. À noite, as águas do Rio Preto correm como se cantassem uma canção de ninar.

Até um simples almoço é um momento de boas descobertas. Depois de horas e horas de viagem, muita fome e cansaço, um restaurante chama a atenção. A comida é o que menos atrai, diante de tantas memórias. Um rádio antigo me lembra meu avô, aquela nota de Cruzado que me faz recordar a coleção de criança, a TV antiga em caixa de madeira, os recortes de jornal... Saí de lá alimentada, não só no corpo.

Quando o sol se põe, perto dali, na Vila Maromba, senti que aquele lugar era realmente especial. Nunca esqueceria do nome, nem da aura do Coiote Café & Bistrô. Como um chalé, seus detalhes em madeira e tijolos aparentes tornam aquele ambiente aconchegante, ao pé do rio e da mata.
Em um dos cômodos, um espaço de leitura, livre. Nas mesas, um tampo de vidro cobrindo livros de poesia, disponíveis para quem os quisesse apreciar. No cardápio, por entre as gostosuras da cozinha, poemas, frases e versos. Para acompanhar o rio Preto, música ao vivo.

Foi lá que conheci Léo Gatti, um músico que respira a natureza e canta a beleza daquela terra. Que fala com o coração, que teme pelo futuro daquele lugar tão rico, que anseia para que todos encontrem lá o que eu também pude sentir no último Carnaval.

É dele uma das músicas que são espelho daquele paraíso...

"Que Mauá...

Um rio passa em minha porta
O verde está em todo lugar
E posso andar por toda parte
Ar muito puro respirar
Um céu estrelado para viajar
(…)
Ah Mauá...
Em Mauá
Que mal há?
Mal não há"

Mas lá, em Mauá, Maromba e Maringá, há mais que paraíso. Há gente que sorri com verdade. Há um encanto humano. Há uma menina que, todos os dias, após servir o café, pergunta aos hóspedes com carinho: “Tá tudo certinho? Querem um pão quentinho?”. Há um silêncio contemplador, de quem agradece a existência daquela harmonia.

Naquele lugar, há uma vontade de ficar e de levar. De lavar todos os dias o coração com a água corrente e límpida da cachoeira. De avistar aquela paisagem infinita de verdes tons. De sentir a brisa suave, que faz tudo ficar mais fácil, mais bonito, mais amor, mais vivo. Quem um dia esteve lá guarda em si, mesmo que latente, um pouco mais de Deus no coração.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A despedida de Tubinho

Era uma noite especial para as centenas de pessoas que estavam na plateia, sentadas em simples cadeiras de plástico, debaixo de uma lona colorida. O último espetáculo de uma temporada sempre têm uma cor diferente, uma emoção a mais dos artistas, um capricho para encerrar aquele ciclo com chave de ouro. Ainda mais depois de oito meses no mesmo local, “competindo” com outros circos que passaram pela cidade.

Mas neste 13 de outubro, quando o Circo de Teatro Tubinho fez sua última apresentação em Sorocaba, a plateia também fez parte do show, e deu a ele uma vibração única. Naquela noite, os aplausos e assobios - tão esperados e comuns na vida de um artista, fizeram o Rei do Riso chorar. De emoção. De amor. De gratidão.

Eu, que estava ali pela primeira vez, em cinco minutos me arrepiei e senti um respeito enorme por aqueles artistas, que conquistaram a admiração e o afeto de tanta gente. Gente que interagia e era correspondida durante as cenas de humor. Nenhuma fala era ignorada. Os artistas faziam, humilde e respeitosamente, com que tudo se tornasse parte do espetáculo.

E como a noite era realmente especial, as emoções não acabaram com o show. Depois de uma carta de agradecimento à família Tubinho, um jovem rapaz subiu ao palco e ajoelhou-se diante de uma moça, com o coração aberto e os olhos cheios de amor. Nascia ali mais uma família.

Na despedida dos artistas, a plateia pôde vê-los sem a maquiagem da encenação, mas com os laços do amor real de seus filhos, pais e companheiros. Cada rosa entregue por eles a uma pessoa querida nos fazia sorrir.

O Circo do Tubinho disse até logo, deixando uma saudade cheia de boas lembranças e sentimentos, dos melhores tesouros que poderiam dar. Com eles, levaram um pouco de Sorocaba no coração, e a certeza de que serão bem-vindos sempre que quiserem voltar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Por que ser vegetariana?

Essa é uma pergunta que muita gente me faz, e eu sei que sempre alguém vai fazer. Por que você decidiu abrir mão dos suculentos bifes de filé mignon, do frango com catupiry nas pizzas, do salmão assado e dos espetinhos sem fim?

Eu tenho várias respostas para essa pergunta, porque a motivação não veio de um fator apenas. Confesso que às vezes escolho a que vai ser melhor entendida por quem me indaga. Mas talvez para poucos eu tenha conseguido explicar inteiramente.

Nos meus 18 anos muita coisa aconteceu, assim como na vida da maioria nessa idade. Eu tinha começado a faculdade de Jornalismo e iniciado um período mais intenso de amadurecimento. Foi nesse ano também que eu consegui adotar meus primeiros cachorros: a Peteca e o Pitchuco, e eu sei que eles aguçaram ainda mais meu sentimento pelos animais.

Naturalmente, pouco a pouco, meu corpo começou a rejeitar as carnes. Tudo bem que eu já não era muito acostumada com carnes mais pesadas, vermelhas e de porco, o que pode ter ajudado. Mas meu organismo simplesmente não conseguia mais processar aquela comida, que me deixava pesada.

E foi na mesma época em que chegou às minhas mãos um livro espírita, escrito por um médico veterinário, que fala sobre os animais, trazendo também algumas informações sobre vegetarianismo (Todos os Animais Merecem o Céu, de Marcel Benedeti).

Todos esses acontecimentos me trouxeram a consciência do que realmente é a carne, de onde ela vem, de que ela é fruto da morte de animais. Parece uma besteira, mas é tudo tão industrializado e pronto, que eu demorei para ter a real noção de que um bife era um pedaço de um animal morto e do que aquilo significava para mim.

Foi quando eu pensei em me tornar vegetariana, pesquisei, me informei para que pudesse adaptar minha alimentação e, em cerca de duas semanas, parei completamente de comer carnes (sim todas elas, incluindo peixe, frango e todos os frutos do mar). Tem gente que me pergunta se eu não sinto falta. No começo parar de comer frango totalmente me foi um pouco estranho, mas eu já não me sentia bem com nenhuma carne e logo perdi totalmente a vontade de comer qualquer tipo dela.

Só depois eu fui assistir a alguns documentários que mostram como os animais são tratados pela indústria da carne: feito objetos. E toda essa consciência só reforçou ainda mais minha decisão.

Eu sei que muitas pessoas ainda enxergam os animais como objetos. Em tempos em que tantos tratam os próprios seres humanos – até amigos e familiares – como coisas, não é de se estranhar, infelizmente. Mas meu amor pelos bichos aumentou tanto, tanto, que eu não conseguia mais enxergar um bife como uma comida. Era mais forte que eu. Para o meu coração, é um cadáver do qual meu corpo não necessita para viver. Um sofrimento que eu não queria mais ajudar a causar.

Acima de tudo, foi o amor por eles que me fez ser vegetariana, mas principalmente, foi o que me trouxe felicidade por ser vegetariana. Longe de mim ser radical e torrar a paciência das pessoas impondo o vegetarianismo. Até porque seria hipócrita da minha parte, pois minha forma de amar os animais não é perfeita. Eu nunca consegui me tornar vegana, por exemplo, aquele tipo que não come derivados animais como leite, ovos e mel. Mas só de causar menos sofrimento a eles, já sinto meu corpo e minha alma mais leves.

Também não quero aqui julgar nem condenar os que não são vegetarianos. Não acredito que eles amem menos os animais. Conheço muita gente que faz muito mais por eles do que vários vegetarianos por aí. Parar de comer carne é uma decisão séria, que deve ser feita com consciência e responsabilidade. Afinal, é preciso se alimentar adequadamente, pois nosso corpo ainda necessita da matéria para viver.

Depois de seis anos, eu posso dizer que é possível parar de ingerir carne e continuar comendo muito bem, com saúde do corpo, da mente e com um pouco mais de paz no coração.


sábado, 30 de agosto de 2014

Amizamor

Sebastião Salgado / Gênesis
Olhos de ponte
De rio que corre solto
Manso, sereno
Entre duas almas

Abraço que envolve
Enlaça o coração
Singelo, afeto
Sorriso dos corpos

Palavra que ilumina
À alegria ou à dor
Liberta, reconstrói
Faz novo caminho

Riso que aproxima
Feito laço de fita
Mais leve, mais cor
Rodopia como bailarina

Sentimento que acende
Brilha o que há de bom
Amizade, amor
Embeleza a vida.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Clareia

Desperta o coração no olhar
Demora um abraço na paz
Distribui sorrisos d'alma

Rodopia para o alto da vida
Voa, revoa, renova, repovoa
Rompe o ar, faz o vento, movimento

Tira as tampas dos frascos
Remexe o fundo, mistura o mundo
Tudo vira um, ser que vira todo.

Creation of sun (Valeria G - Rome, Italy)