Borboletas
azuis deslizam no ar, como em câmera lenta, e me recebem nessa terra
encantada. São infinitas, estão em toda parte do caminho. Esse
lugar é mágico porque há paz. Há uma energia limpa, boa,
renovadora, que invade a alma de quem adentra no distrito de Visconde
de Mauá, em Resende, Rio de Janeiro.
Com
suas vilas – Mauá, Maringá e Maromba –, seus vales e
cachoeiras, a região de Visconde de Mauá guarda riquezas das mais
belas e sutis.
É
como se a vibração daquele lugar nos trouxesse aquilo de melhor que
somos, o melhor que sentimos. Até os nossos sorrisos nas fotos ficam
mais alegres, o olhar brilha como se avistasse a serenidade. À
noite, as águas do Rio Preto correm como se cantassem uma canção
de ninar.
Até
um simples almoço é um momento de boas descobertas. Depois de horas
e horas de viagem, muita fome e cansaço, um restaurante chama a
atenção. A comida é o que menos atrai, diante de tantas memórias.
Um rádio antigo me lembra meu avô, aquela nota de Cruzado que me
faz recordar a coleção de criança, a TV antiga em caixa de
madeira, os recortes de jornal... Saí de lá alimentada, não só no
corpo.
Quando
o sol se põe, perto dali, na Vila Maromba, senti que aquele lugar
era realmente especial. Nunca esqueceria do nome, nem da aura do
Coiote Café & Bistrô. Como um chalé, seus detalhes em madeira
e tijolos aparentes tornam aquele ambiente aconchegante, ao pé do
rio e da mata.
Em
um dos cômodos, um espaço de leitura, livre. Nas mesas, um tampo de
vidro cobrindo livros de poesia, disponíveis para quem os quisesse
apreciar. No cardápio, por entre as gostosuras da cozinha, poemas,
frases e versos. Para acompanhar o rio Preto, música ao vivo.
Foi
lá que conheci Léo Gatti, um músico que respira a natureza e canta
a beleza daquela terra. Que fala com o coração, que teme pelo
futuro daquele lugar tão rico, que anseia para que todos encontrem
lá o que eu também pude sentir no último Carnaval.
É
dele uma das músicas que são espelho daquele paraíso...
"Que
Mauá...
Um
rio passa em minha porta
O
verde está em todo lugar
E
posso andar por toda parte
Ar
muito puro respirar
Um
céu estrelado para viajar
(…)
Ah
Mauá...
Em
Mauá
Que
mal há?
Mal
não há"
Naquele
lugar, há uma vontade de ficar e de levar. De lavar todos os dias o
coração com a água corrente e límpida da cachoeira. De avistar
aquela paisagem infinita de verdes tons. De sentir a brisa suave, que
faz tudo ficar mais fácil, mais bonito, mais amor, mais vivo. Quem
um dia esteve lá guarda em si, mesmo que latente, um
pouco mais de Deus no coração.

