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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Terra encantada: Visconde de Mauá

Borboletas azuis deslizam no ar, como em câmera lenta, e me recebem nessa terra encantada. São infinitas, estão em toda parte do caminho. Esse lugar é mágico porque há paz. Há uma energia limpa, boa, renovadora, que invade a alma de quem adentra no distrito de Visconde de Mauá, em Resende, Rio de Janeiro.

Com suas vilas – Mauá, Maringá e Maromba –, seus vales e cachoeiras, a região de Visconde de Mauá guarda riquezas das mais belas e sutis.
É como se a vibração daquele lugar nos trouxesse aquilo de melhor que somos, o melhor que sentimos. Até os nossos sorrisos nas fotos ficam mais alegres, o olhar brilha como se avistasse a serenidade. À noite, as águas do Rio Preto correm como se cantassem uma canção de ninar.

Até um simples almoço é um momento de boas descobertas. Depois de horas e horas de viagem, muita fome e cansaço, um restaurante chama a atenção. A comida é o que menos atrai, diante de tantas memórias. Um rádio antigo me lembra meu avô, aquela nota de Cruzado que me faz recordar a coleção de criança, a TV antiga em caixa de madeira, os recortes de jornal... Saí de lá alimentada, não só no corpo.

Quando o sol se põe, perto dali, na Vila Maromba, senti que aquele lugar era realmente especial. Nunca esqueceria do nome, nem da aura do Coiote Café & Bistrô. Como um chalé, seus detalhes em madeira e tijolos aparentes tornam aquele ambiente aconchegante, ao pé do rio e da mata.
Em um dos cômodos, um espaço de leitura, livre. Nas mesas, um tampo de vidro cobrindo livros de poesia, disponíveis para quem os quisesse apreciar. No cardápio, por entre as gostosuras da cozinha, poemas, frases e versos. Para acompanhar o rio Preto, música ao vivo.

Foi lá que conheci Léo Gatti, um músico que respira a natureza e canta a beleza daquela terra. Que fala com o coração, que teme pelo futuro daquele lugar tão rico, que anseia para que todos encontrem lá o que eu também pude sentir no último Carnaval.

É dele uma das músicas que são espelho daquele paraíso...

"Que Mauá...

Um rio passa em minha porta
O verde está em todo lugar
E posso andar por toda parte
Ar muito puro respirar
Um céu estrelado para viajar
(…)
Ah Mauá...
Em Mauá
Que mal há?
Mal não há"

Mas lá, em Mauá, Maromba e Maringá, há mais que paraíso. Há gente que sorri com verdade. Há um encanto humano. Há uma menina que, todos os dias, após servir o café, pergunta aos hóspedes com carinho: “Tá tudo certinho? Querem um pão quentinho?”. Há um silêncio contemplador, de quem agradece a existência daquela harmonia.

Naquele lugar, há uma vontade de ficar e de levar. De lavar todos os dias o coração com a água corrente e límpida da cachoeira. De avistar aquela paisagem infinita de verdes tons. De sentir a brisa suave, que faz tudo ficar mais fácil, mais bonito, mais amor, mais vivo. Quem um dia esteve lá guarda em si, mesmo que latente, um pouco mais de Deus no coração.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A despedida de Tubinho

Era uma noite especial para as centenas de pessoas que estavam na plateia, sentadas em simples cadeiras de plástico, debaixo de uma lona colorida. O último espetáculo de uma temporada sempre têm uma cor diferente, uma emoção a mais dos artistas, um capricho para encerrar aquele ciclo com chave de ouro. Ainda mais depois de oito meses no mesmo local, “competindo” com outros circos que passaram pela cidade.

Mas neste 13 de outubro, quando o Circo de Teatro Tubinho fez sua última apresentação em Sorocaba, a plateia também fez parte do show, e deu a ele uma vibração única. Naquela noite, os aplausos e assobios - tão esperados e comuns na vida de um artista, fizeram o Rei do Riso chorar. De emoção. De amor. De gratidão.

Eu, que estava ali pela primeira vez, em cinco minutos me arrepiei e senti um respeito enorme por aqueles artistas, que conquistaram a admiração e o afeto de tanta gente. Gente que interagia e era correspondida durante as cenas de humor. Nenhuma fala era ignorada. Os artistas faziam, humilde e respeitosamente, com que tudo se tornasse parte do espetáculo.

E como a noite era realmente especial, as emoções não acabaram com o show. Depois de uma carta de agradecimento à família Tubinho, um jovem rapaz subiu ao palco e ajoelhou-se diante de uma moça, com o coração aberto e os olhos cheios de amor. Nascia ali mais uma família.

Na despedida dos artistas, a plateia pôde vê-los sem a maquiagem da encenação, mas com os laços do amor real de seus filhos, pais e companheiros. Cada rosa entregue por eles a uma pessoa querida nos fazia sorrir.

O Circo do Tubinho disse até logo, deixando uma saudade cheia de boas lembranças e sentimentos, dos melhores tesouros que poderiam dar. Com eles, levaram um pouco de Sorocaba no coração, e a certeza de que serão bem-vindos sempre que quiserem voltar.